Tango Fumando Espero, também conhecido por Fumar es un placer, celebrizado por Sara Montiel no filme El ultimo cuple de 1957.
Tango Fumando Espero, também conhecido por Fumar es un placer, celebrizado por Sara Montiel no filme El ultimo cuple de 1957.
Lá fora na rua, um agrupamento musical iniciava o “Cheira a Lisboa”, quando o ancião do pátio me estendeu a mão em convite para uma dança, que aceitei colocando de lado o cigarro que acabava de acender. Terminados os passos e entre dois dedos de prosa com aroma a inquérito, o senhor fez questão de me apresentar o neto, retirando-se com um pretexto qualquer. Mais um armado em Santo António – pensei com os meus botões.
A conversa logo se revelou enfadonha, esperando a primeira oportunidade para me escapar educadamente. Preparei-me para fumar um cigarro, procurando na mala o isqueiro que teimava em não aparecer, quando o mocinho me disse: por acaso…? Cedi-lhe um cigarro do maço. Completou a frase enfeitada dum risinho: por acaso não é um extintor? É que estou a arder. Estagnei por segundos, não querendo acreditar no piropo fatela que acabava de ouvir. Indecisa entre o “vai sozinho ou precisa que o mande?” e mais umas quantas que voaram na minha cabeça, dei meia volta e fui saborear o meu cigarro junto dumas amigas que gargalhavam da situação.
No salto de dois cigarros o tempo duma dança e o mote para as conversas que se arrastaram pela noite. Entre as mulheres a sentença foi dada: no que toca a sedução, é proibido canastrão. Havendo gostos para tudo, que não se discutem, nisto de cantigas de “bandido” convém que o radar esteja a funcionar, a modos que o “É proibido fumar” nem sempre soa bem, sendo que o charme é daquelas coisas, ou se tem naturalmente ou não se tem.
Este post também foi publicado no CC&Cª
http://www.youtube.com/watch?v=rNj5iCU5mLg
O que tem a União Europeia a ver com o antitabagismo militante? Tudo: o antitabagismo militante é uma das faces visíveis da ditadura politicamente correcta em que vivemos desde, pelo menos, 1986.
O que tem Vladimir Konstantinovich Bukovsky a ver com a União Europeia? Tudo: ele foi uma das vítimas do centralismo burocrático de uma outra União, a Soviética.
12 anos em prisões, gulags e instituições “psiquiátricas” do regime soviético são um currículo mais do que suficiente para que ele tenha compreendido a natureza… contra-natura das ditaduras imperiais, das uniões forçadas de povos, da terraplanagem ideológica de culturas nacionais e da destruição de todos os direitos individuais – em nome de uma utopia teoricamente altruísta. Tudo aquilo, enfim, em que se baseava o império soviético e que explica, por antecipação e por simples analogia, o passado, o presente e o futuro do império europeu.
Deixa ficar a flor,
a morte na gaveta,
o tempo no degrau.
Conheces o degrau:
o sétimo degrau
depois do patamar;
o que range ao passares;
o que foi esconderijo
do maço de cigarros
fumado às escondidas…
Deixa ficar a flor.
E nem murmures.Deixa
o tempo no degrau,
a morte na gaveta.
Conheces a gaveta:
a primeira da esquerda,
que se mantém fechada.
Quem atirou a chave
pela janela fora?
Na batalha do ódio,
destruam-se,fechados,
sem tréguas,os retratos!
Deixa ficar a flor.
A flor? Não a conheces.
Bem sei.Nem eu.Ninguém.
Deixa ficar a flor.
Não digas nada.Ouve.
Não ouves o degrau?
Quem sobe agora a escada?
Como vem devagar!
Tão devagar que sobe…
Não digas nada.Ouve:
é com certeza alguém,
alguém que traz a chave.
Deixa ficar a flor.
David Mourão Ferreira
Fonte (imagem e texto): As Tormentas
http://www.youtube.com/watch?v=ucL6pgo3Uj4
Viva Portugal, raios!
Por simples pudor, deixem-me dizer alguma coisa em letra miudinha.
Acrescentar umas coisas meio envergonhadas, encabuladas, sem jeito.
É que isto é esmagador, caramba. Isto, Susana Félix, isto, esta música celestial, este “Flutuo”. Absolutamente perfeitas, ela e ela, de uma beleza cálida, reservada, cristalina, tão modesta quanto imponente. Uma beleza simples que lembra, quase dolorosamente, aquela florzinha silvestre que apanhámos – nós todos – algures na nossa infância, e que oferecemos à pessoa de quem mais gostavamos então – a uma amiga querida, a nossa mãe, a nós mesmos quando nos faltava alguém para estender a mão. Perfeitas, ambas as coisas, e sem mácula. Por isso o orgulho, daí a emoção: são portugueses estes dois milagres, valha-me Deus!
P.S.: o videoclip? Genial!