Arquivo de Abril, 2008

Suicide-se com moderação, s.f.f.

Posted in dgs, estabelecimentos, permitido, proibido, roteiro, ss on 30.04.08 by APD
—– Original Message —–
Sent: Wednesday, April 30, 2008 11:44 AM
Subject: fumador.cedilha.net

Agradeço ao  João Graça a ideia dum sítio onde quem gosta de fumar pode encontrar ajuda na escolha dos cafés e restaurantes “civilizados “.    Todos podem  e devem conviver, sem incomodar  ou  coartar a liberdade e o prazer de ninguém.

A lista reunida desses locais já me  foi  muito útil ,  em  Lisboa e  no  Porto.

Quero também contribuir com  a indicação de mais três  restaurantes  :

“ Chá da esperança “  na rua da Esperança   e   “ Frade dos Mares “  na Av. D. Carlos I   (largo do chafariz  –Santos )

Há ainda  o restaurante  “Yasmin “  no  jardim ao lado da Mercado da Ribeira.

Saudações a todos os que têm  colaborado

p.s.—parece-me recomendável  «fumar com moderação »

Depois de pessoalmente ter respondido a tão amável e colaborante missiva, cumpre esclarecer alguma coisinha sobre aquele derradeiro e quiçá misterioso post scriptum.

Aliás, devo agradecer à nossa companheira de fumaradas a oportunidade que aquela sugestão me proporciona, já que desde há muito tempo pretendia falar aqui do assunto.

Como todos sabemos, qualquer anúncio a bebidas alcoólicas tem aposta a generosa e da ordem frasezinha “beba com moderação”, ou algo equivalentemente patético; já nos maços de tabaco (não nos anúncios, porque a publicidade ao dito é expressamente proibida) a coisa é logo a matar, por assim dizer, em sentido literal; dizem-nos, nossos incógnitos e enigmáticos benfeitores, que “Fumar Mata”, por exemplo. No tabaco é logo, pimba, “vais morrer, cão” (ou coisa do género), mas lá na cervejinha, no “uísquezinho” ou na pinga em geral, bem mais avisados e maneirinhos são os letreiros, os apelos à contenção, ou lá o que raio é aquilo. Aliás, no que diz respeito à gasolina de avião para emborcar (vulgo, bebidas alcoólicas), esses “apelos” costumam ser precedidos por uma introdução ainda mais parva: “seja responsável”.

Eu cá acho que, nestes assuntos de saúde pública, não deve haver meias palavras ou coisinhas chochas. Se querem apelar à consciência dos bebedores, então deveriam entrar também a matar, utilizando as tácticas de guerra psicológica do “antitabagismo” fundamentalista. Assim como escrevem nos maços que “Fumar Mata”, deveriam escarrapachar nas “botellas” fosse do que fosse algo como “Beber Mais Mata Mais Depressa” ou, outra sugestão super-criativa, “Vais Beber, Vais-te Foder”, por exemplo. Como equivalente ao “Fumar pode provocar morte lenta e dolorosa”, porque não grafar em garrafas e copos “Beber Dá Cirroses Muito Jeitosas” ou “O Álcool é Bera com’á Ferrugem”?

Já agora, em vez de se recomendar ao bebedor que “beba com moderação”, que tal completar a frase convenientemente? Ficaria assim: “beba com moderação, sua ganda besta” ou, que sei eu, em vez de “ganda besta”, punha-se “seu animal”, ou “ó caramelo”, ou ainda “se não, leva tau-tau”.

A escola fundamentalista, em especial na disciplina dedicada à saúde alheia (vulgo, pública), não enxergando mais do que meio palmo adiante do próprio umbigo, recusa liminarmente qualquer espécie de senso, seja ele bom ou apenas comum. Estes letreiros, quanto ao fumo ou quanto ao álcool, surtem tanto efeito como tentar convencer uma criança de que os bombons fazem mal “à barriga”; para começar, criança alguma sabe ao certo o que vem a ser isso da “barriga” e, por conseguinte e muito acertadamente, a dita criança sentir-se-á decerto enganada pelo adulto que a tenta convencer de algo totalmente absurdo, porque inexistente, vago, indefinido.

Alguém presumirá, porventura, que algum daqueles recadinhos pseudo-altruístas colheu o mais ínfimo dos efeitos? Que alguma vez algum fumador deixou de fumar o seu cigarrinho ou uma pessoal normal de beber o seu “uísquezinho”? Como? Hem? Diga? Por causa daquela merda estar ali escrita? Nunca!

Muito provavelmente, a servirem aqueles dizeres para alguma coisa, será com certeza pela inversa, isto é, acicatando ainda mais o fumador para acender mais um cigarro ou levando qualquer pessoa a encher de novo o copo. Quanto mais não seja, pela sensação típica de “que se lixe, assim com’assim, é p’rá desgraça”.

Não confundamos, no entanto, beber com fumar; mantenhamos as coisas devidamente em separado, porque são óbvia e completamente diferentes. Nenhum fumador se intoxica até cair para o lado ou sequer até ficar tonto, perder o equilíbrio, desatar a dizer asneiras e chatear toda gente; fumar não implica nem pressupõe o risco de vir a bater na mulher (ou no marido) apenas por desfastio ou de armar barracadas e desacatos diversos em tudo quanto é sítio. Por mais que os maníacos da saúde o tentem fazer crer, não existe a figura típica do “fumador da aldeia”; é uma impossibilidade técnica que alguém passe a viver na rua ou ande a arrumar carros por causa do seu vício tabágico. O alcoolismo é uma patologia com graves reflexos pessoais, familiares e sociais, fumar é um hábito de cariz social potencialmente perigoso para a saúde do indivíduo. Por outro lado, o risco de que o hábito de beber álcool se transforme em alcoolismo não pode sequer ser comparado a que o hábito de fumar se transforme em tabagismo – que não é designação de uma doença, mas de uma temática (ou problemática).

Um fumador não anda (não deve andar) por aí a arrebanhar fumadores, a convidar outros para “só mais um, p’ró caminho”. Não alicia ninguém para fumar, muito menos menores; pelo contrário, faz o que pode (deve fazer) para que os jovens não comecem a dar umas baforadas e ajuda (deve ajudar) quem pretende deixar o tabaco. O fumador não incomoda (não deve incomodar) ninguém com o seu fumo e não tenta sequer (não deve tentar) justificar aquilo que sabe perfeitamente não ser justificável.

Porém, o fumador (consciente) também não tem nada que dizer aos outros aquilo que é melhor para eles ou aquilo que mais lhes convém. Esse tipo de moralidade podre, essa tendência para impingir balelas ao próximo, a necessidade compulsiva de babar palermices paternalistas para cima de qualquer desconhecido, isso sim, como vemos e sabemos, é típico de bêbedos inveterados.

Os mesmos que se entretêm, entre dois soluços avinhados, a inventar as tais frases lapidares de apelo à “responsabilidade e à “moderação”. Consciência pesada, é o que é.

História do fumo IV – "Bons amigos, bons conselhos"

Posted in cartoon, estabelecimentos, história, permitido on 26.04.08 by APD

click para ampliar a imagem

Come bem, dorme melhor e anda sempre alegre e feliz, porque fuma entre dois charutos as cigarrilhas aromáticas e medicinaes, extra elegantes.
Belsaude
Com sêlo VITERI
Usadas pelas senhoras elegantes porque perfumam o hálito e evitam a cárie dentaria. Usadas pelos cantôres, prégadôres, actôres e oradôres, porque fortalecem as cordas vocaes e aclaram a voz.

COMBATE A ACÇÃO NOCIVA DA NICOTINA.
Fazem-se remessas c/ reembolso.

Pedidos ao
Deposito central: Vicente Ribeiro e C.ª
Sucessor Jão Vicente Ribeiro Júnior
84, Rua dos Fanqueiros, 1.º, Dt.º

Anúncio no Almanach Bertrand. 19.º Anno, Fernandes Costa (270, Estrada de Bemfica – Lisboa), 1918
(Brochado, $60; Cartonado, $75)

"Bons amigos, bons conselhos"

Posted in cartoon, estabelecimentos, história, permitido on 26.04.08 by APD

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Come bem, dorme melhor e anda sempre alegre e feliz, porque fuma entre dois charutos as cigarrilhas aromáticas e medicinaes, extra elegantes.
Belsaude
Com sêlo VITERI
Usadas pelas senhoras elegantes porque perfumam o hálito e evitam a cárie dentaria. Usadas pelos cantôres, prégadôres, actôres e oradôres, porque fortalecem as cordas vocaes e aclaram a voz.

COMBATE A ACÇÃO NOCIVA DA NICOTINA.
Fazem-se remessas c/ reembolso.

Pedidos ao
Deposito central: Vicente Ribeiro e C.ª
Sucessor Jão Vicente Ribeiro Júnior
84, Rua dos Fanqueiros, 1.º, Dt.º

Anúncio no Almanach Bertrand. 19.º Anno, Fernandes Costa (270, Estrada de Bemfica – Lisboa), 1918
(Brochado, $60; Cartonado, $75)

Confirmação e Pontuacão – 6

Posted in estabelecimentos, mapa do fumador, permitido, pontuacão on 23.04.08 by APD


Salão Preto e Prata
Casino Estoril
Praça José Teodoro dos Santos
2765-237 Estoril
Telefone: 214 667 700
C.E. – Salão Preto e Prata

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  • Foi aqui o célebre “local do crime”, em que foi apanhado a fumar um director qualquer da ASAE, na noite de passagem-de-ano 2007/2008. Só por esse facto por assim dizer histórico, já valeria a pena ir lá espreitar.
  • Deve ser caso único no país: a sala está dividida por dois simples letreiros na parede: 2/3 para não fumadores, 1/3 para fumadores.
  • Isto é um jantar com espectáculo dentro, portanto a coisa depende muito mais deste (que varia) do que daquele (que deve ser sempre mais ou menos a mesma coisa).
  • Num jantar de 3ª Feira, deve ser normal que exista um rácio de quase um empregado para cada 4 comensais, o que, pessoalmente, não me chateia nada.
  • Considerando que, desta vez, o “menu” foi do género “promoção” (para os dias de menor movimento, é isso que lhe chamam), bem, 45 € por cabeça não é nada de mais.
  • Os 18 contitos, a dividir por dois, compreendem pãezinhos sortidos, manteiga (em pacotinhos de plástico!), creme de camarão (bom, 4 estrelas), pato assado com batata folhada (!) e legumes (esqueçam os legumes e a batata, o pato leva 3 estrelitas), meia garrinha de branco (do piorio) e outra meia de tinto (Periquita, por conseguinte aceitável), mais doce gelado de 4 chocolates (muito bom); café ou chá servem para liquidar a conta. O resto é pago à parte. E esse resto, para molhar o espectáculo, foi um maravilhoso Quinta de Pancas (22 €, vale).

Como se avalia uma coisa destas? Pelo lado dos comes e bebes ou pelo lado das bailarinas, salvo seja? O “show” actualmente em exibição chama-se «Four: Espírito dos Elementos”, mas também se poderia designar por “Five: Pão e Circo”, ou chamar-se outra coisa qualquer, que vinha a dar no mesmo. É um excelente número, ou sucessão de números, com um ritmo e uma encenação absolutamente perfeitos.

Só o espectáculo de «Michael McPherson, ex-performer do Cirque du Soleil», já valeria perfeitamente o preço do bilhete. Por conseguinte, não refilemos, vamos considerar que o jantar para dois foi inteiramente à borla ou, vá lá, meio por meio.

Isto porque, se nos ativermos a uma crítica puramente gastronómica, por assim dizer, bem, já traguei pior mas o Casino bem poderia ter caprichado mais um pouquinho no mestre Cuca. Não há lá taças para meter a bendita da manteiguinha? E a pinta de “comida de avião” daquela espécie de “catering”, não daria para ao menos disfarçar? E, já agora, aquela honestíssima ave de arribação, bem marinada e melhor assada, não mereceria uma guarnição mais condizente, como, por exemplo, umas batatas novas também assadas e um esparregado decorativo e escorregadio? Para que raio servem aqueles vegetais desenxabidos, tão apetitosos ao paladar como um centro de flores e tão suculentos como uma paisagem siberiana?

Enfim, ponderados os prós e os contras, e atendendo à qualidade do ambiente (para já não falar do idem quanto a alguns pormenores anatómicos do chamado corpo de baile), vão três estrelas para a restauração (e cinco para os tais pormenores, mas isso não é para aqui chamado).

Uma nota (ainda mais) pessoal, sobre fumo no local: nenhum. Os tipos esmeraram-se nas maquinetas de extracção. É um prazer enorme; fumei que nem uma besta, ia-se-me acabando o tabaco, e nem um olharzinho de esguelha, nem uma bocazita foleira, nada de nada, as volutas desapareciam pelo tecto acima e, em troca, desciam belas mulheres pelo tecto abaixo. Um pedaço de céu, em suma, é o que vos afianço com cagança.

Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.

Alda

Posted in copyright, história, voar on 23.04.08 by APD

Era magra, nervosa, pequenina,
Um nadinha de gente. Assim custava,
E com razão, a perceber que estava
Génio tão mau em cousa tão franzina.

Bater sabia o pé, desde menina,
E a todo o que a servia, escravizava
Por modo tal, que o próprio a quem amava
Em breve maldizia a própria sina.

Tinha sempre de andar no estreito rego,
Que a sua mão lhe impunha com pavor,
De cabeça no chão, como um borrego;

Não dando ao desgraçado adorador
Um momento de paz, nem de sossego!…
Pois era a isto que chamava amor!

Fernandes Costa, «O Eterno Feminino»
Almanaque Bertrand, 1963

O fumador, essa espécie exótica

Posted in asae, media, permitido, proibido on 21.04.08 by APD

«O que não aconteceu»

«Posso dizer que, no final, fiquei surpreendido por nunca ter sido multado. As eventuais consequências legais da minha “aventura” tinham sido, aliás, uma das preocupações iniciais quando preparei o trabalho, o que me levou a consultar o advogado da empresa e a garantir que esta se responsabilizava pelos montantes das multas. É que não são pêra-doce – ser “aliviado” em 500 ou 1000 euros por um agente da autoridade não é difícil. Tive sorte? Se calhar.»

Isto é o parágrafo final de um artigo publicado ontem no Diário de Notícias, numa “secção” regular daquele jornal que se designa “Na Pele de…”

Desta vez, tocou ao jornalista fazer-se passar por fumador compulsivo (ou distraído, vem a dar no mesmo). Vai daí, o homem fez-se à estrada, salvo seja, com fotógrafo a tiracolo, e lá foi à luta, a ver se alguém o chateava por fumar em locais interditos. Experimentou o Metro, e nada, acendeu um cigarro no centro comercial das Amoreiras, e népia, andou em dois táxis e encheu-os de fumo, com o beneplácito dos motoristas, experimentou uma Loja do Cidadão e nem aí a coisa deu para o torto. Uma chatice, pelos vistos. Parece que, afinal, depois de tanta treta, mais de quatro meses após a lei 37/2007 ter sido parida, pouca gente normal liga ao assunto.

Mas será mesmo assim? Não terá isto sido mera coincidência ou, quem sabe, este jornalista ser mesmo um tipo cheio sorte? Se calhar, é cá um palpite que eu tenho, a coisa pode correr bastante mal, se alguém quiser arriscar brincar às distracções. Digo-o por experiência própria, por ouvir dizer e também pelo que se vai lendo, aqui e ali. Veja-se este caso, saído hoje no mesmo jornal, na “secção” de cartas ao Director.

«Tolerância»
«Apesar de não ser fumador, não concordo com a cruzada higiénica contra os fumadores em Portugal. Os não fumadores não têm de querer obrigar toda a gente a deixar de fumar. Mas os fumadores também não têm razão quando defendem que, nos locais públicos onde seja permitido fumar, não devem ser impostas quaisquer regras relativamente à ventilação do ar, segundo o princípio “só lá vai quem quer”.
Os espaços públicos devem ser abertos a toda a gente e, como tal, devem dar garantias a qualquer pessoa de aí poder estar sem ser incomodada. Há locais onde o fumo é tanto que uma pessoa não consegue sequer abrir os olhos, para já não falar no fedor pestilento que deixa nas roupas. Ora, isto é inadmissível. Tal como se exige aos bares, para poderem passar música ou cozinhar, que tenham condições para tal, também lhes devem ser exigidas determinadas condições para que possam permitir que aí se fume

Se porventura alguém me perguntasse – coisa de que felizmente estou safo – algo como “mas o que raio tem isto de mais?”, e mesmo sabendo que às vezes nem com desenhos a coisa vai lá, sempre gostaria de esclarecer que este documento é um verdadeiro panfleto de fundamentalismo. O fulano que escreveu isto, e aqui sou obrigado a omitir-lhe o nome porque o que me apetece é chamar-lhe nomes, representa e ilustra a pior espécie de pide sanitário. Note-se como começa por dar uma de “amplas liberdades”, assim como se fosse muito tolerante, e tal, mas depressa lhe foge o discurso para a cacetada (como caceteiro que é, confere); na frase “Os não fumadores não têm de querer obrigar toda a gente a deixar de fumar” está condensado todo o programa destas figurinhas inquisitoriais. Este gajo por certo se julgará muito civilizado e urbano, por assim dizer; mas deixem-no à solta, a ele e aos milhares como ele, dêem-lhes trela, forneçam-lhes parcimoniosamente os fósforos, e logo vereis essa gente a queimar em auto-de-fé todos os hereges fumadores; e vereis também como não se ralarão então eles absolutamente nada com a fumarada que assim fazem, que a sua missão é sagrada e que são divinos os seus desígnios, já que é para bem dos próprios supliciados.

Parece exagero, assim de repente, pois não parece?

Bem, pronto, lá vão os desenhos, então. O que este fulano diz – e que demonstra, entre outras coisas, que o tal jornalista teve uma sorte de cabrão, como soe dizer-se – contém a essência programática de qualquer espécie de racismo ou xenofobia. O que ele diz, trocado em miúdos, equivale a coisas tão comuns como as seguintes frases lapidares:

_ Eu cá não sou racista, só não gramo é os pretos.
_ Não tenho nada contra os ciganos, mas acho que deviam ir todos lá pr’á terra deles.
_ Para mim, somos todos iguais, tirando os cabrões dos velhos e a juventude, esses drógados.
_ O homem e a mulher são iguais em direitos, mas cada qual no seu lugar. E o lugar da mulher é em casa, pois.
_ Cá p’ra mim, esse tipo tem ar de vigarista, foda-se, basta olhar-lhe p’ró focinho.
_ Considero-me um democrata, mas realmente ele há coisas que não se podem admitir em política.
_ Os ricos que paguem a crise.
_ Tu és o carro que tens, portanto, com essa porcaria não passas de um bardamerdas.
_ As mulheres são todas umas putas, menos a minha mãe e a santa que tenho lá em casa.
_ Os homens são todos uma cambada de machistas.
_ Este mundo é dos espertos.
_ Anda meio mundo a enganar o outro meio.

Portugal está tão cheio de frases lapidares como a abarrotar de imbecis que as proferem. O antitabagismo é a mais moderna válvula de escape para a boçalidade das massas e serve na perfeição como álibi para que as elites nada façam de realmente importante.

Troquem-se os factores nas fórmulas ou nos lugares-comuns, sejam aquelas verbalizadas ou estes consuetudinários, e os resultados permanecerão imutáveis: troglodita é troglodita, aqui ou na China (outro chavão), e pretexto é pretexto, por mais rebuscada que seja a argumentação e por mais subtil que seja a falácia.

Se estas coisas porventura não fossem (exactamente) assim, o leitor “indignado” com o café do fumador indignar-se-ia com o preço do café, o jornalista ter-se-ia posto “na pele de” um tetraplégico, por exemplo, e não na de um simples fumador e, por fim, sejamos coerentes, eu próprio devia estar neste momento produzindo algo de útil, em vez de estar para aqui pregando aos peixes. Mas enfim, que Deus me perdoe, isto foi aquele sacana de carassius auratus que está ali há um ror de tempo, às voltas, às voltas, às voltas, a olhar para mim com ar de dúvida.

Deus me dê paciência

Posted in mapa do fumador, proibido, roteiro, ss on 18.04.08 by APD
Pois, esse tipo de respostas e observações trogloditas é cada vez mais comum. Informações erradas para o mapa, também. O mundo está cheio de imbecis, como se vê.
 
Agradeço a informação. Irei investigar o assunto, na medida das possibilidades e, a ser o caso, apagarei o dito restaurante laranja dos sítios decentes.
Cumprimentos.
 
JPG
—– Original Message —–
Sent: Friday, April 18, 2008 6:21 PM
Subject: Mapa

Quero deixar aqui que o ORANGE na rua São Pedro de Alcantara 21 que está referenciado como sendo de fumadores, é de não fumadores e que acha muito bem esta lei e que FUMAR É NA RUA tal como me foi dito.

Paulo Martins

Oh, my sweet Lord!

Posted in história, voar on 17.04.08 by APD


http://www.youtube.com/watch?v=9W0Nzddndbk

«Este show foi uma homenagem ao George Harrison, dois anos após a sua morte. No violão, Eric Clapton, no outro, o filho de Harrison, no piano Paul McCartney, na 1ª bateria Ringo Star, na segunda Phill Collins, na guitarra Tom Petty, no órgão e vocal Billy Preston.»
Keikas (YouTube)

Um dos raríssimos casos em que a cópia é (ainda) melhor do que o original.

Confirmação e Pontuacão – 5

Posted in blogs, estabelecimentos, pontuacão on 07.04.08 by APD


Kaffa – Coffee Zone
Av. das Nações Unidas, 19
1600-535 Lisboa
Telefone: 217 144 272
http://www.kaffa-coffeezone.com/

Exibir mapa ampliado

  • Bem localizado numa zona residencial, tendo o Continente de Telheiras como vizinho.
  • As duas salas são amplas, a de fumadores com 70m2 tem 40 lugares sentados e boa extracção de fumo, e a de não fumadores, separada da anterior por 2m de livre circulação, tem 130m2 e 60 lugares sentados.
  • Equipa bem organizada e simpática.
  • Razoável variedade de cafés e chás.
  • As tostas primam por não ser em pão de forma e pela qualidade e variedade (a partir de 2,75€).
  • Para além dos snacks e das saladas, dispõe de um menu ao almoço por 6,50€ que varia diariamente (prato, refrigerante e café), do qual escolhi a espetada de peru com tâmaras, que me agradou razoavelmente.
  • Excelentes caipirinhas (4€), quando preparadas pelos empregados brasileiros que, espante-se, são em larga minoria.

É um espaço misto de café e bar que funciona todos os dias das 09:30h às 02:00h (entra-se pela zona de fumadores, apesar de existir uma entrada na outra zona), em que a música ambiente flutua com a hora e com o tipo de clientes, pelo que percebi das distintas vezes em que já lá fui.

Durante a tarde, é comum encontrar estudantes que usufruem da Wireless e diversos clientes dedicados à leitura. Ao cair da noite, o café “transforma-se” em bar, em que a luz dos candeeiros desce e acendem-se tea light candles, subindo o ritmo e volume da música (e também da conversa dos clientes, bah…) a par da afluência de clientes, que é imensa em qualquer dia da semana – talvez devido à raridade de espaços com áreas para fumadores na zona. A partir das 21h, é da praxe esperar uns 20 minutos por mesa, o que acaba por ser saturante e incomodativo, pois a “zona de espera” é ladeada pela entrada e pela saída de copa em que o “desvia para aqui e ali” é uma constante.

Acaba por ser um espaço que se evidencia pela metamorfose que tem ao longo do dia e que peca pelo tempo e falta de zona de espera, pelo que fica nas 2, quase 3 estrelas.

Esta crítica foi realizada pela vizinha Curiosa, que atribuiu a cotacão (dois furos acima de cão) ao restaurante Kaffa.

Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.

Confirmação e Pontuacão – 4

Posted in blogs, estabelecimentos, pontuacão on 07.04.08 by APD


Restaurante Luizinho
Rua do Neto, 6
2675 Odivelas
Telefone: 219 310 079
http://luizinho.restaunet.pt/APRESENTA.asp

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  • A sala de fumadores, das três que o restaurante possui, é a dos fundos, onde o extractor é inexistente e o aparelho de ar condicionado é apenas um enfeite no tecto.
  • Nesta sala diminuta, com capacidade para 30 pessoas, a ventilação é feita por umas micro-janelas junto ao tecto, que por sinal estavam fechadas.
  • Jantar de grupo com menu por 13,50€: grelhada mista + sumos, água e sangria + café + bolo de aniversário + espumante.
  • Serviço lento e de má qualidade: o paté de entrada parecia sopa de peixe para bebés; as carnes foram servidas às prestações e os acompanhamentos começaram a chegar 10 minutos depois da grelhada servida, contrastando o frio arroz branco sem sal com o excesso do mesmo na carne; a desonrosa sangria só tinha a denominação.

Numa mesa de 20 pessoas, diversos convivas tecem elogios a refeições anteriores, apesar de este ter sido o primeiro jantar com ementa de grupo. Da minha parte, não encontro elogios a tecer. Foi a primeira, e de certo que terá sido a única vez que fui ao afamado Luizinho.

O tempo de espera entre os grelhados e os acompanhamentos foi surreal. As travessas eram colocadas sem nexo na mesa, e os convivas que as passassem entre si (foi esta a resposta que recebi do empregado que nos estava a servir, ao perguntar pela salada), e já bebi sangria engarrafada bem melhor do que aquela água de lavar copos. Escapou as batatas fritas, por não serem de pacote nem pré-cozinhadas, e o bolo de aniversário.

Poderão dizer-me: por 13,50€, não se pode esperar muito. Pois eu espero, ou não tivesse já comido muito bem em tascas por 10€, mas isso foi antes do anti-tabagismo.

Não tivesse sido o aniversário de um amigo e o humor feito em torno do péssimo serviço prestado, como também os grandes ossos das entremeadas para o cão roer, seria um “abaixo de cão”.

Esta crítica foi realizada pela vizinha Curiosa, que atribuiu a cotacão (de cão) ao restaurante Luizinho.

Esta apreciação, bem como a cotacão atribuída, resultam de uma única visita e constituem a expressão de uma simples opinião, devendo por conseguinte ser consideradas como isso mesmo, opinião num artigo de opinião.